quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Torcedor sofre

O Atlético Mineiro seria o 35º colocado numa lista de clubes europeus com maior público médio no campeonato. O Flamengo estaria abaixo de 40º. Os clubes brasileiros, somente nos últimos dois anos, acordaram para a necessidade de fidelizar torcedores, Mas a qualidade dos estádios ainda é muito ruim. Falta conforto, falta segurança e falta acesso. Os programas de sócio-torcedor ainda não cumprem essa função, pois eles oferecem descontos por uma anuidade do torcedor. O que os clubes brasileiros precisam é vender carnês para toda a temporada. Bons preços e bons produtos são fundamentais. Por isso, é preciso ter bons times, para empolgar o torcedor. Os estádios, depois de reformados para a Copa do Mundo, serão uma atração a parte e certamente levarão mais torcedores aos jogos. Mas é certo que a mentalidade dos dirigentes sempre será um risco para a manutenção e a perenidade de boas políticas com o torcedor, que ainda não é visto como um cliente pelos clubes. Basta lembrar que, recentemente, um torcedor corinthiano, depois de cobrar do presidente do clube algumas melhorias do acesso aos banheiros do Pacaembu, foi incentivado pelo dirigente a não comparecer mais no estádio e a acompanhar o time pela TV, Fala sério, né!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

É 'nóis' na Abraji

Hoje, depois de muitos anos de namoro, tornei-me associado da Abraji (associação de jornalismo investigativo). Sempre gostei muito de montar meus próprios bancos de dados para elaborar pautas exclusivas e diferenciadas e também de fuçar em bancos de dados públicos. Essas técnicas são conhecidas como RAC (Computer Assited Reporting), algo como a prática de elaborar reportagens a partir do uso de bancos de dados com uma grande quantidade de informações. No Brasil, essas técnicas são conhecidas como jornalismo de precisão. Desde que assisti uma de palestra na USP uns dez anos atrás, comecei, por conta própria, a fuçar em bancos de dados públicos, a montar meus próprios bancos de dados e a organizar as constatações em gráficos. Tenho alguns projetos-piloto bem-sucedidos - um dia conto aqui alguns deles. Agora, quero aprender mais e aperfeiçoar minhas técnicas de apuração, organização e apresentação. Vamos ver no que vai dar.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Atiradeira e vidraça

Gostei muito da matéria publicada pelo jornal Folha de S.Paulo (Jornalistas são arrogantes e não querem ser melhorados, em 22/set/2009), fruto de uma sabatina com o onbudsman do jornal, Carlos Eduardo Lins da Silva. Ele teve coragem de falar muitas verdades constrangedoras e polêmicas. Quem, nas redações, já não pensou o mesmo? Na minha opinião, o melhor trecho é o seguine: "Os jornais, a imprensa, os jornalistas são arrogantes, prepotentes, não gostam de ouvir críticas em nenhuma hipótese e não querem ser melhorados. Se a imprensa não se autorregular, ela vai ser regulada por alguém e será pior para ela. Por que o ombudsman, que é uma forma modesta de autorregulação, não se dissemina no país e no mundo? Porque os jornais e a imprensa não gostam de ser reguladas nem por si próprias. A autorregulação é uma premência para a liberdade de imprensa." Os jornalistas estão acostumados a ser atiradeira - nunca vidraça.

Sociedade civil desorganizada

Os jornais (e a imprensa em geral) estão muito viciados em escutar sempre as mesmas fontes, sempre as mesmas pessoas - a chamada sociedade civil organizada. Que tal dar um pouco mais de espaço para a sociedade civil desorganizada? Já faz algum tempo que as multidões ou as pessoas simples podem contribuir para dar um tom mais realista às notícias.